Monthly Archive for outubro, 2008

Antiinflamatórios inibidores da COX-2 (coxibs): Seu uso vale a pena?

 Antiinflamatórios inibidores da COX 2 (coxibs): Seu uso vale a pena?

Transcrevo aqui no Blog, um artigo publicado no jornal da APCD sobre este tema que gera muitas duvidas tanto nos profissionais da odontologia como em seus pacientes.

Os antiinflamatorios dos grupos dos coxibs, dos quais permancem em comercialização o celecoxib (Celebra) e o etoricoxib (Arcoxia), entraram no mercado a partir de 199 como alternativas vantajosas para pacientes com problemas gastrintestinais – gastrites, úlceras, sangramentos gástrico ou duodenal. Foram apresentados como medicamentos seletivos, com potencial antinflamatório e analgésico equivalente ao dos antiinflamatorios já conhecidos sem provocar os efeitos gastrintestinais daqueles. Embora toda expectativa em torno dessa nova classe de medicamentos (visto que os antiinflamatórios não-corticóides ou não-esteróides – os chamados AINE – situam-se como as drogas mais prescritas em todo o mundo), vários estudos clínicos trouxeram novo olhar sobre este grupo.

As limitações referem-se à elevação do risco de eventos adversos cardiovasculares, especialmente o aumento da incidência de infarto agudo do miocárdio (IAM) e acidente vascular cerebral (AVC). Esses fatos levaram à retirada do mercado o rofecoxib (Vioxx, em 2004), o valdecoxib, em sua apresentação oral (Bextra, em 2005) e por último o lumiracoxib (Prexige, em julho de 2008)

O mecanismo que tornaria os coxibs tão interessantes (pois, com a mesma potência analgésica e antiinflamatória dos AINE anteriores, não mostrariam efeitos adversosgastrintestinais), começou a ser mais bem elucidado a partir dos anos 1990: os AINE – todos eles, de modo geral – agem bloqueando a enzima cicloxigenase-2 (COX-2), que catalisa a reação do ácido araquidônico, (ácido graxo presente nas membranas celulares), levando-o à formação de prostaglandinas pró-inflamatórias.

As prostaglandinas estão envolvidas em diversos processos, tanto fisiológicos como patológicos: vasodilatação ou vasoconstrição; contração ou relaxamento da musculatura brônquica ou uterina; hipotensão; ovulação; aumento do fluxo sangüíneo renal; proteção da mucosa gástrica (com aumento da secreção do muco protetor); resposta imunológica e hiperalgesia, dentre outras funções.

Foram caracterizadas duas isoformas principais da ciclooxigenase: a ciclooxigenase-1 (COX-1) e a cicloxigenase-2 (COX-2), já citada. A primeira está presente em condições fisiológicas,
principalmente nos vasos sanguíneos, plaquetas, estômago e rins. A COX-2, que se pensava estar presente apenas em situações inflamatórias, na verdade interfere em várias respostas fisiológicas, como transmissão de impulsos dolorosos, ação anti-aterogênica e vasoproteção (graças à prostaciclina, seu principal produto, que é um potente vasodilatador e anti-agregante plaquetário).

Voltando aos coxibs, sua ação antiinflamatória deve-se à inibição seletiva da COX-2, preservando a COX-1. Então, bloqueiam a isoforma da COX responsável pela inflamação (a COX-2) não interferindo com a COX-1, protetora do estômago.

Que ótimo! Seria possível prescrever AINE com muito mais segurança, melhor tolerância e com a mesma resposta analgésica e antiinflamatória.

Dez anos depois, foi possível verificar que as coisas não correram exatamente dessa forma: a inibição da COX-2 e manutenção da COX-1, para quem precisa usar AINES por um tempo maior (um ano, ou mais) mostrou, através de vários estudos clínicos, um aumento significativo da incidência de eventos trombóticos agudos.

Assim, constatou-se que a ativação da COX-1 – protetora da mucosa gástrica – também é responsável por efeitos vaso-oclusivos, como agregação plaquetária, vasoconstrição e proliferação de músculo liso no interior do vaso. E que a COX-2 (a isoforma envolvida no desenvolvimento da inflamação) é responsável também por vasodilatação, inibição da agregação plaquetária e da proliferação de músculo liso vascular.

É possível então visualizar que o mecanismo dos coxibs (inibição da COX-2 / preservação da COX-1) pode prejudicar o mecanismo do endotélio contra a agregação plaquetária, favorecendo o desenvolvimento de trombos cardíacos, e suas conseqüências.

Outro fato importante, embora ainda não-conclusivo, é a interação medicamentosa prejudicial entre a aspirina (em sua utilização como anti-agregante plaquetário) e os inibidores (especialmente os náo-seletivos) da COX.

A aspirina é uma importante alternativa para o tratamento profilático de doenças de elevado risco tromboembólico, como infarto do miocárdio. No caso de utilização em conjunto com um AINE, poderá ocorrer uma competição entre a aspirina e o antiinflamatório, pelos sítios de ligação com a enzima. Ocorreria um bloqueio do acesso da aspirina aos seus locais de ligação, prejudicando o seu efeito cardioprotetor.

As alternativas possíveis para pacientes com risco tromboembólico que necessitem de terapia com antiinflamatórios, segundo o American College of Cardiology (ACC), são as seguintes:

- Uso continuado de aspirina em baixa dosagem, quando indicado;


- Considerar alternativas aos AINE, como o uso de medicação tópica;


- Os inibidores específicos de COX-2, devem ser utilizados quando há risco significativo de sangramento gastrintestinal, desde que não haja risco elevado de doença cardiovascular;


- No caso do uso de inibidores específicos de COX-2 ser imprescindível, o paciente deve estar ciente dos riscos destes fármacos; assim, a dose deve ser a mais baixa possível e o tempo de tratamento o mais curto possível.

- Complementando, não há estudos que mostrem seguraná na utilização destes antiinflamatórios em pacientes menores de 18 anos.

Órgãos de fiscalização, como o FDA americano, receberam críticas severas sobre o controle e a fiscalização de tais medicamentos, no sentido de que deve haver uma educação contínua dos profissionais de saúde e a orientação dos pacientes, mudanças nas bulas e nas indicações de uso e restrição do uso em determinados grupos de pacientes, entre outras providências.

Concluindo, o que temos até agora é que este grupo de antiinflamatórios inibidores seletivos da COX-2 apresenta limitações, pelos efeitos adversos expostos e pela própria resposta antiinflamatória, que não se mostrou superior aos AINE mais antigos. Tal constatação vem confirmar a cuidadosa avaliação necessária ao se prescrever estes fármacos como antiinflamatórios. No entanto, outros usos para agentes com ação nas cicloxigenases estão sendo estudados, inclusive no tratamento do câncer e da doença de Alzheimer – assim, o interesse por drogas com este perfil permanece tão atual como era há anos atrás.

Vera Lúcia Pivello

Farmacêutica-bioquímica

Fontes:

ARAÚJO, L. F. Et al. Eventos cardiovasculares: um efeito da classe dos inibidores da COX-2. Arq. Bras. Cardiol., v.85, São Paulo, set/2005.

CARVALHO, A. C.; CARVALHO, R. D. S.; RIOS-SANTOS, F. Analgésicos inibidores específicos da cicloxigenase-2: avanços terapêuticos. Rev. Bras. Anestesiol., v.54, mai/jun 2004.

KUMMER, C. L; COELHO, T. C. R. B. Antinflamatórios Não Esteróides Inibidores da COX-2: Aspectos Atuais. Rev. Bras. Anestesiol., v.52, jul/ago
/2002.

Jornal APCD – Outubro de 2008. Pág 40-41.

Gostou deste artigo?

Inscreva-se em nosso feed RSS

SORRISO DE FAMOSO (PARTE 6)

tyson SORRISO DE FAMOSO (PARTE 6)

Mike Tyson e seu sorriso de OURO!

Gostou deste artigo?

Inscreva-se em nosso feed RSS

Dentista ou Artista? Os dois.

Impressionante este vídeo. Simplesmente uma obra de arte. Analisem os detalhes que o Dr. Ivan Ronald Huanca proporciona com escultura dental em um sabonete Dove. Sulcos, Vertentes, Papilas, Cúspides…..parabéns pra ele.

Gostou deste artigo?

Inscreva-se em nosso feed RSS

SORRISO DE FAMOSO (PARTE 5)

pete doherty SORRISO DE FAMOSO (PARTE 5)

Esse sorriso amarelão é de Pete Doherty, músico do grupo The Libertines, e namorado da modelo Kate Moss….Ahhh uma bela profilaxia….

Gostou deste artigo?

Inscreva-se em nosso feed RSS

Santa Apolônia, a santa dos Dentistas

SApoloniaA Santa Apolônia, a santa dos Dentistas

Em Alexandria, Egito, nos reinados de Filipe, o Árabe (244-249DC) e Décio (249-251DC) ocorriam varias perseguições contra os cristãos. Dionísio, Bispo de Alexandria entre 247-265 DC, relatou o sofrimento dos cristãos em uma carta enviada a Fábio, Bispo da Antióquia. Após descrever como um homem e uma mulher cristãos chamados Metras e Quinta, foram capturados e mortos pela multidão, e como as casas de muitos outros Cristãos foram saqueadas, Dionisio continua seu relato:

“Naquele momento Apolônia, parthénos presbytis (virgem presbitera, com isso ele provavelmente não quis se referir a uma virgem de idade avançada como é geralmente dito, mas a uma diaconesa) foi considerada por eles uma pessoa importante. Então aqueles homens também a agarraram e com vários golpes quebraram todos os seus dentes. Eles então ergueram fora dos portões da cidade uma pilha de madeira e ameaçaram queima-la viva se viesse a recusar-se a repetir diante deles palavras ímpias (como uma blasfémia contra Cristo, ou uma invocação a algum deus pagão). Deram a ela, diante de um pedido seu, um minuto de liberdade, e ela então se jogou rapidamente no fogo, sendo queimada até a morte.”

A Igreja católica Romana celebra Santa Apolônia no dia 9 de Fevereiro, e ela é popularmente invocada contra a dor de dente devido ao suplício que sofreu. Costuma ser representada nas artes com uma torquês ou tenaz através da qual um dente é preso. Posteriormente no século 14 a ilustração de um manuscrito francês, foi amplamente distribuida como um poster que era considerado apropriado para gabinetes odontológicos nos EUA, nela o dente sagrado preso na tenaz brilha por si, como se fosse um bico de luz.
382px Tooth of saint apollonia Santa Apolônia, a santa dos Dentistas
William S. Walsh, em Curiosities of Popular Customs And of Rites, Ceremonies, Observances, and Miscellaneous Antiquities de 1897, notou que, apesar da maior parte de suas relíquias estarem preservadas na própria igreja de Santa Apolônia em Roma, sua cabeça está na Basílica de Santa Maria em Trastevere, seus braços na Basílica de São Lourenço Fora de Muros, partes de sua mandíbula na Catedral de São Basílio, e outras relíquias estão na igreja Jesuíta da Antuérpia, na igreja de Santo Agostinho em Bruxelas, na igreja Jesuíta em Mechelen, na igreja da Santa Cruz em Liège, no tesouro da Catedral do Porto, e em muitas igrejas na cidade de Colônia. Essas relíquias consistem, muitas vezes, apenas de um dente ou pedaço de osso.

fonte: wikipedia, google imagens

Gostou deste artigo?

Inscreva-se em nosso feed RSS

Proteínas salivares poderiam ajudar na detecção de câncer oral

proteinas0 Proteínas salivares poderiam ajudar na detecção de câncer oralCientistas conseguiram detectar o carcinoma de células escamosas, uma forma de câncer oral, usando um simples teste que detecta proteínas na saliva, de acordo com uma matéria publicada em 1 de outubro de 2008, no jornal da American Association for Cancer Research. Este trabalho foi liderado por David T. Wong, doutor da Universidade da California (Escola de Odontologia).

Estudos anteriores mostraram que a saliva pode ser uma ferramenta importante no diagnóstico, mas este é o primeiro estudo para avaliação total dos níveis de proteínas na saliva de pacientes com câncer oral. Até hoje, é muito simples coletar e processar os fluidos salivares, a descoberta de biomarcas devem se tornar uma importante ferramenta clínica para um diagnóstico não-invasivo de câncer oral no futuro.

“Este teste não esta disponível atualmente, mas nos estamos desenvolvendo componentes para detectar estas biomarcas que podem ser usadas em testes clínicos,” disse Shen Hu, Ph.D., e professor assistente da Oral Biology and Proteomics da Universidade da California.

Wong, Hu e colegas tem trabalhado como integrantes do Instituto Nacional de Pesquisa Dental e Craniofacial (NIDCR), Human Saliva Proteome Project, com foco em identificar e catalogar o componente proteomico da saliva em substratos saudáveis. Este trabalho, com suporte da NIDCR, demonstrou a primeira utilidade do proteoma salivar para a detecção do câncer oral.

Os pesquisadores coletaram amostras de saliva de 64 pacientes com carcinoma oral de células escamosas e 64 pacientes saudáveis.Cinco biomarcas foram validadas: M2BP, MRP14, CD59, profilina e catalase.

American Association for Cancer Research (2008, October 1). Saliva Proteins Could Help Detection Of Oral Cancer. ScienceDaily. Retrieved October 1, 2008.

Gostou deste artigo?

Inscreva-se em nosso feed RSS